Sword Art Online Progressive capítulo 18

Traduzido por  SAO-PROGRESSIVEPT e um pouco revisado por Kote. [Baixar em pdf]


Capítulo 18

Assim que chegamos de volta a Urbus, sinos tocaram nitidamente por toda a cidade, sinalizando a chegada da noite. Era uma melodia calma e lenta e um pouco nostálgica. Sete horas era a hora dos jogadores saírem das regiões selvagens e voltar para suas casas.

Nos MMORPGs que joguei antes de SAO, sete horas era o horário que eu começava a jogar. A maioria das pessoas começava a fazer login no servidor por volta desse horário, atingindo o pico de tráfego do servidor por volta das dez, com sua fome de jogar a noite inteira até amanhecer.

Como eu era um estudante do fundamental, eu sempre deslogava por volta das duas da manhã, no mais tardar. Recordava-me com inveja daqueles que continuavam a outras rodadas de caça, no horário que eu tinha que sair.

Ironicamente, tudo o que mais gostaria era ser capaz de voltar para a escola, hoje eu poderia ficar até depois das duas, até das cinco ou oito horas da manhã se quisesse. E, no entanto, uma vez que ficava escuro lá fora, eu sempre me encontrava voltando para cidade.

Muitas vezes, era apenas para comer meu jantar e me encher de suprimentos antes de marchar novamente para uma nova rodada de aventuras até o nascer do sol – na noite em que eu encontrei Asuna no labirinto era apenas uma dessas ocasiões. Mas sempre que eu via o sol poente vermelho, através do perímetro externo de Aincrad, naquele céu mudando de roxo para azul marinho, eu não poderia descansar ainda. Eu tinha que caminhar de volta para civilização.

Como prova de que esse desejo não era único em minha mente, havia certo número de jogadores andando na rua principal de Urbus. Todos esboçando sorrisos de alívio. Aplausos animados irrompiam dos restaurantes e bares nas ruas laterais, com um brinde ou uma música dedicada a um novo dia de sobrevivência.

Esta mesma cena ocorria nas cidades e vilas do primeiro andar.

Mas já fazia um bom tempo desde que eu tinha ouvido essas risadas alegres, talvez nunca, desde que fiquei preso em Aincrad.

“Esta é a primeira vez que eu volto para cidade Urbus nessa hora do dia. É sempre assim? Ou hoje é algum dia especial?”, perguntei a Asuna.

08 de dezembro não era nenhum feriado. Ela me lançou um olhar interrogativo, com sua beleza escondida debaixo da capa de lã mais uma vez.

“Tanto Urbus e Marome tem sido assim por vários dias. Você esteve se escondendo tanto de dia quanto de noite?”

“Hum… bem…“

Ela provavelmente estava se perguntando se eu realmente me importava em ser visto. Por um motivo especial, eu não poderia visitar Urbus mesmo se eu quisesse. Se eu fosse contar a ela sobre a minha skill de Artes Maciais durante o jantar, eventualmente, eu chegaria nesse assunto, que não era algo que poderia ser resumido brevemente.

“Pode-se dizer que eu estava me escondendo. Ou talvez eu não estivesse” gaguejei.

O olhar de Asuna ficou ainda mais incrédulo.

“Eu não te disse que você está sendo paranoico? Nós já passamos por dezenas de pessoas até agora, você não está disfarçado, e não teve uma única pessoa que lhe incomodou.”

Ela estava correta: Minha terrível bandana listrada não estava equipada. Meu rosto e cabelo estavam normais, embora minha capa preta estivesse escondida. Mas eu tinha a sensação de que esse não era o motivo de ninguém me reconhecer como “Kirito, O Beater” e escolhesse me deixar em paz, acredito que eles estavam felizes demais antecipando o jantar a ponto de não se incomodar em examinar o aspecto sombrio de um espadachim no meio de tantos.

Eu tossi levemente, sutilmente me manobrando para usar Asuna para me cobrir.

“Aham… b-bem, talvez. Enfim, voltando ao assunto – este lugar é sempre animado assim durante a noite? Por nenhuma razão em especial?”

“Oh, eu tenho certeza que há uma razão.”

Fechei minha boca. E ela me lançou outro olhar.

“… na verdade, você é responsável por cerca de três quartos dessa razão.”

“Hã? Eu?!” eu gaguejava. Ela suspirou de forma irritada.

“Olha… não é óbvio o motivo de todo mundo estar sorrindo e rindo? Isso é por que estamos no segundo andar.”

“O que isso significa?”

“Não é nenhum enigma. Todo mundo estava muito nervoso durante todo o mês em que ficamos presos no primeiro andar. Eles estavam com medo de que eles nunca mais pudessem ver o mundo real novamente. Eu era um deles. Mas, em seguida, atacamos junto o primeiro boss e vencemos na primeira tentativa, abrindo o segundo andar. Todo mundo percebeu que talvez possamos vencer essa coisa. É por isso que eles estão sorrindo. Só estou dizendo que… não estaríamos vendo este fenômeno se certa pessoa não tivesse ficado firme durante essa batalha”.

“……”

Finalmente entendi o que Asuna estava dizendo, mas eu não estava certo de como reagir a isso, tossi tentando encontrar algo a dizer.

“Uh, eu acho. Bem, se você me perguntar, este certo alguém fez um trabalho bom o suficiente para merecer um Shortcake grátis”, eu terminei esperançosamente.

“Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa!”

Valeu a pena a tentativa.

Viramos para um caminho estreito que leva ao norte da rua principal da cidade, em seguida, viramos à direita e à esquerda para chegar ao restaurante.

Eu sabia sobre esse estabelecimento (e seu shortcake abominável) de minha exploração incansável de Urbus durante o teste beta, então fiquei um pouco surpreso que Asuna sabia sobre isso logo depois de uns dias no segundo andar. Pegamos uma mesa no fundo e pedimos a nossa comida, foi nesse momento que decidi perguntar como ela havia conhecido.

“Então me deixe adivinhar Asuna, foi o cheiro doce do creme?” – Aqueles olhos castanhos me fulminaram debaixo do capuz. Eu imediatamente tomei outro rumo.

“Isso não a guiaria aqui, então foi coincidência? Essa é uma loja pequena, dificilmente você escolheria esse lugar de forma aleatória.”

Eu não tinha nada contra as pessoas que vagavam de forma aleatória por Aincrad, como não havia lugares exploráveis que você fosse obrigado a pagar para entrar (até onde eu conheça), mas havia alguns que iniciavam um evento de missão automaticamente ao abrir a porta. Não haveria perigo para seu HP dentro da cidade (novamente, até onde eu conheça), mas tais eventos podem ter uma surpresa desagradável para alguém não familiarizado com MMOs. Imaginava que Asuna não seria desse tipo de pessoa que aprecia ou deseja emoções inesperadas, mas sua resposta me surpreendeu.

“Eu perguntei a Argo se existia algum restaurante pouco movimentado em Urbus e comprei a resposta dela.”

Com certeza, não havia mais ninguém no restaurante. Asuna abriu seu menu e desequipou a capa, deixando seu cabelo balançando livremente com a brisa.

“Oh… eu vejo. Isso faz sentido…”

Por dentro eu estava suando frio. Eu era a pessoa que apresentou Asuna a Argo, tecnicamente, foi quando Asuna me pediu para usar emprestado meu banheiro na casa da fazenda próxima a Tolbana, e Argo havia me visitado no mesmo momento. Apesar dos meus melhores esforços, elas se esbarraram no banheiro, para grande surpresa de Asuna. Ela saiu correndo gritando para a sala principal, onde eu estava sentado-

“Você não está se lembrando de algo que não devia, neah? Caso esteja, eu poderia precisar de dois bolos ao invés de um.”

“Não! Eu não me lembro de nada”, eu respondi de imediato, balançando minha cabeça vigorosamente.

“De qualquer forma, Argo pode ser rápida e precisa com suas informações, mas tenha cuidado com ela. Não existe o termo ‘confidencialidade de cliente’ no dicionário dela”.

“Isso significa… que eu poderia pedir para ela me vender todas as informações que ela tem sobre você?”

Era tarde demais para eu me arrepender de minha língua solta.

“B-Bem, sim… talvez… mas isso lhe custaria muito caro. Tenho certeza de que todo o pacote de informações custaria pelo menos três mil col.”

“Isso não seria tão caro quanto eu imaginava. Eu aposto que eu poderia levantar essa quantia sem muita dificuldade…”

“N-N-Não! Eu compraria todas as suas informações em troca! Afinal de contas, ela viu seus-“ Fechei minha boca tão forte que meus dentes se chocaram. Ela sorriu para mim. “’Meus’ o que?”

“Umm… err… o que eu quis dizer era…”

Naquele momento, ocorreu um milagre e o NPC garçom voltou com os pratos de comida, poupando-me de certa catástrofe.

O menu era salada simples, guisado e pão. Mas essa era a melhor refeição encontrada no segundo andar. As sobrancelhas de Asuna emitiam uma aura ameaçadora durante a refeição, mas desapareceu no momento em que a tão esperada sobremesa chegou.

Como havíamos combinado, Asuna pagou o jantar, enquanto o custo da sobremesa saiu de minha própria carteira. Era terrível demais para acreditar que o preço de uma sobremesa ultrapassa facilmente o preço de um jantar de três peças para duas pessoas. Mas pelo fato que eu havia perdido a aposta mesmo usando minha skill de Artes Maciais, eu não estava em posição de reclamar. Minha única opção era lamentar pela fraqueza de minha própria habilidade.

A vencedora triunfantemente, aparentemente alheia a minha agitação interna, olhou para a o prato verde cheio de creme, com os olhos brilhando.

“Oh meu Deus! A informação da Argo dizia apenas que eu deveria tentar experimentar esse tremível Shortcake pelo menos uma vez. Mal posso acreditar que esse momento finalmente chegou!”

O “tremível” no nome era claramente derivado das “Vacas do Tremor”, as versões femininas dos terríveis bois gigantes que percorriam o segundo andar.

As vacas eram quase duas vezes o tamanho dos bois, praticamente chefe deles. O creme empilhado em cima do Shortcake vinha do seu leite (supostamente), mas agora não era o momento de mencionar isso.

Havia outro motivo para o apelido “tremível”, o creme era empilhado tão alto em cima do prato que sacudia por conta própria. A peça era uma fatia triangular de um bolo redondo, com dezoito centímetros de comprimentos e oito centímetros de largura cerca de sessenta graus do bolo inteiro.

Isso significa que o volume do bolo inteiro era seis vezes mais… totalizando aproximadamente um metro e meio cúbico de pura gostosura. Tinha que ter quase um galão inteiro de creme para essa coisa toda.

“Então… por que esse bolo é chamado de ‘pequeno’ (NT: Short de shortcake)?” – Eu gemia.

Asuna pegou o garfo grande que veio com o bolo e disse: “Você não sabe? Ele não é chamado de shortcake por causa de seu tamanho”.

“Por que então? Foi inventado em um campeonato de cozinheiros pequenos?”

Ela facilmente ignorou minha piada matadora.

“É porque a textura crocante do bolo se obtém através de comprimir a massa do bolo. Nos Estados Unidos, eles usam uma espécie de biscoito crocante como base, no Japão, usa-se um bolo macio como esponja, o que realmente não leva ao significado original do bolo. Vamos ver de qual tipo esse daqui é feito…”

Ela colocou o garfo no topo da fatia triangular e cortou um bom pedaço, expondo o dourado bolo macio. Era um bolo de quatro camadas, sendo a massa dourada, morango e creme, massa e morango e creme. No topo do bolo, é claro, estava coberto de uma quantidade impressionante de morangos, ou mais precisamente, algum tipo de fruta no jogo que se assemelhava a morangos. “Então, é no estilo japonês. De qualquer forma, eu prefiro desse jeito”, disse Asuna.

Seu sorriso era tão radiante que quase valia a pena perder a aposta e ser forçado a pagar a conta absurda dessa sobremesa, apenas para vê-lo. Na verdade, não importava se eu vencia ou perdia.

Só o fato de ela conseguir tirar aquele desespero pálido que tinha na profundeza do labirinto a esse rosto sorridente debaixo dessas lâmpadas de óleo quente, já era uma coisa muito boa na verdade.

Se havia uma coisa muito ruim por aqui, era o fato de existir apenas uma única fatia de bolo sobre a mesa. Eu estava disposto a viver de maneira perigosa e pedir para trazer duas porções de imediato, mas o preço no menu era como um balde de água fria despejado em cima de meu entusiasmo.

Eu invoquei cada ponto de Cavalheirismo que eu possuía e acenei com a mão de forma magnânima, sorrindo tão naturalmente quanto pude.

“Por favor, coma. Não se importe comigo.”

Ela sorriu em resposta. “Oh… eu não me importarei. Aqui vou eu.”

Dois segundos depois, ela rachou de rir, em seguida, enfiou a mão no cesto dos talheres ao lado da mesa e me entregou um garfo. “Eu estava brincando, não sou desse tipo, você pode ter até um terço disso.”

“… hum, obrigado”, eu respondi, com um sorriso de alívio no rosto. Por dentro, o meu cérebro estava fazendo cálculos rápidos.

Um terço significa que eu poderia comer… aproximadamente setenta centímetros cúbicos de bolo!

 

Quando saímos do restaurante, a cidade já estava envolvida pela escuridão da noite. Asuna respirou fundo e soltou um profundo suspiro de contentamento.

“… isso foi muito bom…”

Eu sabia como ela se sentia. Esse bolo era provavelmente a primeira sobremesa de verdade que ela havia provado desde que ficamos presos nesse lugar. Foi o mesmo para mim. Suspirei feliz e murmurei: “Parece que esse estava melhor do que no teste beta… a forma como o creme derretia em minha boca, o nível ideal de doçura que não era tão forte, mas satisfatório…”

“Você não acha que isso é apenas sua imaginação? Será que eles realmente se preocupariam em ajustar isso entre a versão beta e a versão oficial?”. Ela perguntou. Eu respondi seu ceticismo com toda a seriedade.

“Não seria tão difícil atualizar os dados no motor de gosto, além disso, mesmo ignorando a diferença no sabor, não tínhamos isso no beta.”

Apontei logo abaixo de minha barra de HP, na parte superior esquerda de minha vista. Havia um ícone ativo, que não estava lá antes, era um trevo de quatro folhas que significava um bônus de aumento de sorte.

Esse efeito só poderia ser adquirido, fazendo uma oferenda cara em uma igreja, equipando um acessório com esse bônus em particular, ou consumindo algum tipo de alimento especial.

SAO matinha em exibição o mínimo de estatística, mostrando apenas os valores de força e agilidade. No entanto, existia uma série de estatísticas escondidas sendo afetadas pelas propriedades de equipamentos, buffs e debuffs, mesmo os efeitos do terreno. ‘Sorte’ era uma dessas estatísticas, e uma muito importante – Ela afetava a resistência a veneno e paralisia, a probabilidade de acertar um ataque e até mesmo a taxa de queda de itens raros dos monstros.

Sem dúvida, alguém na equipe de desenvolvimento de Argus tinha percebido o preço exorbitante do shortcake e decidiu que era o suficiente para justificar um efeito de bônus quando o jogo fosse lançado oficialmente. O efeito duraria por quinze minutos. Isso seria uma quantidade útil se consumido como um lanche no meio de uma masmorra, mas…

“Infelizmente, não há tempo suficiente para que façamos bom uso dele nos campos.” Asuna disse, claramente seguindo minha linha de pensamento. Mesmo que corrêssemos para fora em busca de monstros, nós encontraríamos pouquíssimos monstros antes do buff acabar. Além disso, os monstros em torno dos limites da cidade não tinham nenhum loot decente.

“Que droga… que desperdício de um buff bom”.

Olhei para o ícone do temporizador tiquetaqueando preciosos segundos, forçando meu cérebro a uma maneira de encontrar um bom uso do bônus enquanto durasse.

Poderíamos ficar de joelhos com as mãos na rua – moedas e fragmentos de pedras poderiam ser encontrados em ocasiões raras – mas eu não acho que Asuna gostaria disso. Poderíamos fazer apostas altas em um cassino,  exceto que eles só apareceriam a partir do sétimo andar. Quanto mais eu pensava, menos tempo tínhamos de buff.

Não havia nada que pudéssemos fazer para testar a nossa sorte? Eu acho que eu poderia me voltar para a esgrimista e perguntar se ela gostaria de sair comigo, mas eu tinha a sensação de que o sistema de bônus de sorte não tinha qualquer influencia sobre minhas chances…

Assim que eu estava ficando sem esperanças, eu ouvi um som.

Era o distante e rítmico ressoar de metal sendo martelado. Clank, clank.

“Ah…”

Eu estalei meus dedos, finalmente, descobri um bom uso para os doze minutos restantes de boa sorte.

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